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O afeto é fundamental no desenvolvimento da segurança da criança


“Não dá colo que essa criança vai ficar mal acostumada”. “Amamentar faz o peito cair e o casamento acabar”. “Deixa chorar que aprende a dormir”. “Não tá mimando demais, não?”. Essas e outras frases clássicas estão ainda bastante presentes – e, especialmente se você é mãe, elas podem vir de mulheres mais velhas da família ou até de desconhecidas. Frente a isso temos o desafio de estender a elas o afeto que estamos nos dedicando a proporcionar para nossas crias.

Nesse paradigma, uma das mudanças mais significativas do maternar e do paternar que vemos com relação às gerações anteriores é sobre o afeto. Por uma série de construções sociais (e muitas vezes por terem vivido uma condição menos favorecida do que a que temos hoje) nossos pais, avós e bisavós adotaram práticas severas ao lidar com os pequenos. Talvez até por isso, esse movimento de criação com apego e de olhar compassivo ainda esteja engatinhando. Sabia que, segundo pesquisa do IBOPE, apenas 12% dos brasileiros acha que o afeto é importante para o desenvolvimento infantil?

Um ponto importante sobre essa discussão é lembrar que, até os 3 anos, a interação que a criança vive com seus adultos mais próximos forma as referências que ela tem de como o mundo funciona. Se você grita, ela vai achar que é normal gritar. Se você abraça, ela vai entender que é natural fazer o mesmo. Além disso, o afeto tem influência direta no desenvolvimento cognitivo e também do sistema imunológico, já que a saudabilidade humana é composta de elementos físicos, ambientais mas também psicológicos e emocionais.

Estudos de Harvard, da Universidade do Texas e da Duke University mostram uma clara ligação entre falta de apoio emocional e afeto na infância com distúrbios afetivos na vida adulta. Quando mais velhas, essas pessoas podem tornar-se inseguras, agressivas e doentes com mais facilidade. Essas pesquisas também mostram, por exemplo, que uma criança que é amparada e recebe afeto tem menos chances de desenvolver depressão e ansiedade.

Outro assunto bastante discutido na academia e nas práticas pedagógicas é a evolução da espécie. Bebês despertam de madrugada porque historicamente nossa espécie se sentiu vulnerável à predadores nesse momento. É uma forma de chamar por ajuda, de garantir a sobrevivência. Dar colo e ter contato pele a pele nesses eventos é de extrema importância porque constrói a base do sentimento de segurança e de pertencimento daquele ser.

Nos anos inaugurais de uma vida, regular afeto seria como regular alimento ou ar. É um componente vital, que regula todos os outros e que garante uma experiência mais positiva e plena de vida.

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